Evolução e Risco: Da Sustentabilidade do iPhone 13 ao Medo do Novo Fator de Forma Dobrável

A Apple sempre dominou a arte de dar um fôlego novo aos seus aparelhos sem precisar reinventar a roda de imediato. Um bom exemplo foi quando trouxeram aqueles novos tons de verde para a linha do iPhone 13 e 13 Pro. Aquele verde alpino, especificamente, entregava um visual super premium que combinava com a robustez do chassi Ceramic Shield e a potência do chip A15 Bionic. Nos modelos da linha Pro, a engenharia de materiais brilhava com a aplicação de várias camadas de cerâmica metálica em escala nanométrica por toda a superfície, casando perfeitamente com as laterais em aço inoxidável cirúrgico e o vidro traseiro fosco. Foi também uma época de marcos importantes no software e na ecologia da marca. O iOS 15.4 trouxe o alívio de finalmente podermos desbloquear o celular via Face ID usando máscara, além de uma nova voz para a Siri e suporte expandido do Visual Lookup. Na parte ambiental, os aparelhos deram um passo largo ao adotar minerais raros 100% reciclados e antenas feitas com garrafas plásticas retiradas do mar, eliminando o plástico externo das embalagens numa contagem regressiva para a meta da empresa de zerar o plástico nas caixas até 2025.

Mas refinar um design clássico e otimizar sua sustentabilidade é uma coisa; mudar drasticamente o fator de forma é um desafio em outra escala. Olhando para o que o código beta do iOS 27 está revelando, parece inevitável que o tão falado iPhone Ultra dobrável vai dar as caras ainda este ano, mostrando que a Apple está mesmo preparando o terreno para uma mudança radical de formato.

Com isso na cabeça, aproveitei uma passagem por Shenzhen para dar um pulo numa loja da Huawei e testar o Pura X Max na prática. Você sabe de qual aparelho eu estou falando. É aquele que a mídia toda cravou ser uma prévia quase idêntica dos vazamentos sobre o lendário iPhone dobrável. Esse formato mais atarracado e curto é sem dúvida mais fácil de enfiar no bolso, mas a experiência me fez lembrar de um conselho do meu pai que sempre bateu fundo: só porque algo é diferente, não quer dizer que seja melhor. A primeira impressão segurando o bicho fechado é até positiva, você sente que tem uma pegada firme justamente por causa da estatura menor. O problema é quando você começa a usar de verdade, aí a coisa desanda rápido. Não vou dizer que é uma experiência pavorosa, mas no meu uso diário eu tropecei em três gargalos bem frustrantes.

Primeiro, o painel externo simplesmente não tem altura suficiente para você resolver a vida com agilidade. A sua linha do tempo nas mensagens fica espremida e o teclado virtual engole uns 65% da tela toda vez que aparece. Segundo, quando você abre o aparelho para usar o teclado completo na tela interna, é um parto alcançar as teclas do meio perto da dobra. Se você tem polegares um pouco mais curtos, essa proporção de tela mais larga vira um obstáculo ergonômico. E terceiro, essa falta de espaço vertical dá uma bela rasteira nas credenciais de produtividade do Pura Max.

Eu sei muito bem que já convivemos com aparelhos dobráveis com essa pegada “estilo passaporte”, tipo o Pixel 10 Pro Fold. Mas esse modelo chinês é ainda mais baixo e largo. Eu já achava a opção do Google meio esquisita na mão, então forçar ainda mais a barra nessa direção não alivia a situação. Como a Samsung já está nadando de braçada nesse mercado há anos, o mundo meio que se acostumou a esperar um celular alto por fora, revelando um painel interno com uma proporção quase quadrada. Particularmente, é o formato que eu acho ideal para navegar na web e trabalhar, mesmo admitindo de boca cheia que ele é péssimo para entretenimento, já que qualquer filme vira um festival de faixas pretas gigantes. Por outro lado, se esse suposto “rascunho” do iPhone dobrável for mesmo um sinal da direção que a Apple tomou, eles vão acabar entregando um aparelho excelente para consumir mídia, mas que vai pecar feio na hora de produzir alguma coisa.